Adeus, Compacto

•Novembro 27, 2009 • Deixe um comentário

Fui informado de seu assassinato, e me disseram que o esqueceram de enterrar. Nunca pensei que sua passagem por aqui seria tão efêmera. Mas, ao mesmo tempo em que morreu cedo, deixou sua marca em muitos corações, ou melhor, ouvidos.  Lembro-me muito bem de conhecidos vindo me contar cheios de alegria nos olhos sobre sua chegada. Fato que ocorria inúmeras vezes, em diversas situações. Nos aniversários, então, sempre se esperava vê-lo novinho em folha. Mas, infelizmente, isso tudo é passado, pois o mataram.
Sinto muito em dizer-lhe, mas são bem poucos que sentem a sua falta. Já há um tempo, as pessoas encontraram um outro com quem “curtir”. E, com pesar no coração, acredito que a isso se deve seu homicídio. Alguns nem se lembram do seu potencial sonoro. Hoje, só dão ouvidos a um tal chamado MP3.
Embora não seja suficiente, quero que saiba que o MP3 não tá com nada. Sua melodia é infinitamente superior a dele. E, com ele, as pessoas não sentem o imenso prazer que só você soube propiciar. Nos anos 1990, seu apogeu, os alto-falantes explodiam. As pessoas paravam durante às tardes e se divertiam, mesmo sozinhos. Aliás, sozinhas não, em companhia de seus encartes. Hoje não é mais assim. Simplesmente, sentam em frente a um monitor qualquer e, enquanto fazem qualquer outra coisa alienante, se esforçam para ouvir algum som mais intenso por meio das fracas caixas de som do computador.
Quem sente muito a sua falta é a Música. Infelizmente, só soube te dar o devido valor depois de sua morte.  Quando você reinava, as canções não se sentiam só. Sempre andavam agrupadas, como uma família. Na linguagem deles, família se chamava álbum, lembra-se? Com o MP3 isso ainda vigora, mas está em estado terminal. Os valores familiares se corroeram, pois os artistas preferem lançar um single para download do que passar meses em estúdio, procriando, construindo famílias.
Não posso esquecer de citar os Mini Systems. Essa turma sente muito a sua falta. Além de se sentirem trocados pelos PCs, não têm com quem mais “trocar idéia”, pois adoravam entrar em contato com você. Hoje só abrem a “boca”, melhor dizendo, a bandeja para não acumular poeira.
Você morreu jovem. Quantos anos mesmo? Uns 20? Não sabia que a depressão fosse uma doença tão forte. Ao compasso que ia caindo no esquecimento, seu sofrimento aumentava, e ninguém percebia isso. E, mesmo que notassem, sinto em dizer que não iam te estender a mão. Durante sua infância, boa parte desistiu de você, cansando de tentar de moldar aos padrões de convivência. Sendo assim, devida a falta de reciprocidade, suas cópias passaram a ser mais procuradas do que você. Apesar de você sempre ter sido infinitamente mais belo do que elas, o que importa é o interior, não é mesmo? E até mesmo com algumas falhas de papo aqui ou ali, os piratas (este é o apelido que receberam) ocuparam seu lugar. Eis o flagelo de suas doenças.
Circula por aí que a sua mãe, a Dona Gravadora, não soube te educar. Te pôs no mundo, mas não criou direito. É isso que dizem. E isso é uma concepção unânime. Dizem também que você era metido, não dava atenção aos pobres, só andava com capitalistas. Por isso, alegam que era interesseiro, além de falarem que só te conquistavam com dinheiro em abundância. Mas, sobretudo, a culpa não é sua. Sua mãe não soube criá-lo.
Já o MP3 é muito mais sociável e acessível. Dá atenção a todos da mesma forma, sem olhar o extrato bancário, como era seu costume. Devido ao esquecimento depressivo, a sua ganância por capital, má criação e limitado espaço sonoro, a morte resolveu levá-lo. E, quando as pessoas vêem seu corpo, em formato circular, tomam um susto, pensam que é um morto-vivo.
Porém, algumas pessoas sempre se lembrarão dos momentos vividos ao seu lado. A maior preocupação agora é com sua mãe. Está desamparada por causa de sua perda. Os psicólogos dizem que ela sente um vazio e busca preenchê-lo de qualquer forma possível. Já os médicos alegam que ela está em estado terminal.

Dead By Sunrise nasce das cinzas de Chester Bennington

•Novembro 23, 2009 • Deixe um comentário

O ano era 2005, e o Linkin Park estava em hiato. Enquanto seus companheiros de banda tentavam reformular o contrato com a gravadora, em meio a discussões com a Warner e vai e vem de informações sobre um possível retorno ao estúdio para a gravação do terceiro álbum, e o parceiro de vocais Mike Shinoda surgia com um projeto paralelo de rap, Fort Minor, seu mundo ruía.
Vocalista da banda que mais vendeu no século 21, Chester Bennington sofria com o fim de seu casamento, passando por recaída nas drogas e no alcoolismo, além de viver desprovido daquilo que seu talento lhe proporcionou. Uma vez acostumado a fartura de dinheiro, viver sem ele não foi fácil para Bennington, que, segundo o próprio, “tudo o que eu tenho é o que você não tomou”, sobre a ex-mulher, em “In Pieces”, do Linkin Park. Nesse mesmo ano, suas únicas aparições nos shows do Music for Relief (entidade criada pela banda afim de angariar fundos para vítimas de desastres naturais) e Live 8 foram sacrificantes, já que todos os dias desejava morrer ao nascer do sol. Embora fosse um zumbi na Terra, um homem arruinado, cumpriu seu papel com as obrigações de tocar nos shows em benefício de causas sociais, sem que ninguém notasse sua agonia implícita.
Em 2006, a banda se reuniu novamente para produzir o tão aguardado disco sucessor de “Meteora”. Em 14 meses de estúdio, muitas ao lado do lendário produtor Rick Rubin, “Minutes to Midnight” foi lançado no ano seguinte, dividindo a opinião dos fãs que esperaram quatro anos por um novo álbum. Porém, antes de entrar de cabeça na produção do terceiro disco do LP, Chester Bennington, com colaboração de amigos da banda Julien-K, iniciou seu projeto paralelo, que mais tarde viria a se chamar Dead By Sunrise. “Eu tinha algumas canções que soavam muito bem, mas eu sabia que não pertenciam ao estilo do Linkin Park. Eram mais sombrias e mais humoradas do que qualquer outra coisa que eu tinha levado para a banda. Então decidi trabalhá-las por conta própria ao invés de transformá-las em músicas do Linkin Park.”
Como o Linkin Park está acima de qualquer vontade individual, Bennington cessou as gravações de seu disco solo para gravar com a banda. Somente após o fim da extensa turnê de divulgação de “Minutes to Midnight”, que tomou conta de 2007 e 2008 na vida do grupo, Bennington, enfim, teria tempo de finalizar seu álbum solo.
Produzido por Howard Benson, “Out of Ashes” é o primeiro disco do Dead By Sunrise. O debute traz 12 canções alimentadas pelas raízes roqueiras do vocalista. Com uma sonoridade grunge, punk e hard rock (longe das características do Linkin Park), Bennington mostra mais liberdade melódica, acompanhado dos exagerados backing-vocals dos instrumentistas. O título do álbum (fora das cinzas, em tradução livre) tem intenção de expressar como se Bennington renascesse para a vida. O processo de gravação teve duas etapas. Na primeira, antes de “Minutes to Midnight”, Bennington passava os dias trancado em sua casa, bebendo, se drogando e “curtindo por aí”. Com a reunião do Linkin Park e um novo amor à vista, a solidão e a recaída nos entorpecentes se tornaram uma página virada em sua vida. O fim de 2008 e início de 2009, ao lado de Amyr Derakh (guitarra) e Ryan Shuck (guitarra), do Julien-k, além de Anthony ‘Fu’ Valcic (sintetizador), Brandon Belsky (baixo) e Elias Andra (bateria), foram dedicados à finalização do disco, que viria a ser lançado em 13 de outubro deste ano.

Análise
A balada “Fire” abre o disco queimando as perspectivas de som leve e letras tranquilas, com bateria forte e boas levadas de guitarra nos versos. O destaque, porém, fica por conta da ponte, contrastando leveza e peso, com Bennington cantando “Eu tenho que encontrar um jeito de não deixar minha dor queimar até os ossos”. Na segundo faixa temos o primeiro single. A grunge “Crawl Back In” é pesada e cativante, com belos gritos do vocalista. Um ponto interessante é a letra ter um pé na teoria do assujeitamento (“Às vezes eu olho para mim mesmo e não sei quem sou / eu vejo um pedaço de cada um que conheço enterrado sob a minha pele”). Apesar da coincidência, a letra é baseada na batalha pela qual Bennington passou ao enfrentar o vício do alcoolismo. Mas, assim como no lirismo do Linkin Park, à margem para diversas interpretações. Entre as canções pesadas do disco, destaque para  ”My Suffering”, com poderosos gritos de Bennington. Já a hardcore “Inside of Me” vem acompanhado do melhor refrão do disco. A letra, assim como o nome da canção, bem que poderia ser do Linkin Park, por ser bastante introspectiva, ao se referir a uma mudança interior (“Eu me sinto mais só a cada dia/ E simplesmente tão longe/ Eu sei que algo deve mudar/ Dentro de mim”).  
“Condemned” é a mais pesada do disco, mas não mostra muita qualidade, exagerando em gritos. “End of the World” não é necessariamente uma grande música, mas, por outro lado, traz boas guitarras e Bennington, mais uma vez, revela ótimo desempenho. Fato curioso é que se trata da única música fora de contexto do disco, pois trata de temas sociais, como não ter dinheiro para comprar gasolina ou pagar aluguel.
Nas baladas, as decepções de Bennington durante seus anos de angústia são escancaradas. “Let Down”, segundo single, inspirada no fim de seu primeiro casamento, expressa o medo de seguir por um velho caminho na vida, em que o final é triste e decepcionante. Talvez, se trate da canção mais cativante do disco, apoiada no fato de ter refrão grudento. “Into You” tem melodia vocal esquisita e soa pop. Mas é um ótimo som, com algumas passagens mais pesadas e letra obscura (“Fumo um outro cigarro/Ele mata a dor/ Isso é tudo o que sobrou de mim” | “Sou um homem cujas tragédias foram substituídas por lembranças/ tatuadas em minha alma”). Pode-se dizer que “Give Me Your Name” é o ponto mais fraco do disco. É tão melosa, mais tão melosa que, às vezes, pensa-se que o voz não é de Chester Bennington. “Too Late” não parece o tipo de música que teve muita produção, mas as letras sinceras e o som agradável valem a pena.
As surpresas positivas são o duo que fecha o disco. “Walking in Circles” é obscura e quebra com a estrutura musical presente no disco. Se trata de uma faixa fria, com sonoridade sombria e letra questionante. Para encerrar, Dead By Sunrise apresenta o que “Out of Ashes” tem de melhor. “In the Darkness” abre com beat box, passando por melodias perfeitas de Bennington e culminando em refrões intensos. O sintetizador faz sua parte, encerrando assustadoramente essa canção. Ou melhor, deixando para trás o período de cinzas de Chester Bennington, bravamente revelado num grande disco de rock.

Em cinzas

•Novembro 18, 2009 • 2 Comentários

Conviver com pesarosos desprazeres tem sido difícil para ele. Nunca soube ao certo o quão poderosos poderiam ser. Na verdade, uma vez superados, não são mais sentidos, a não ser que voltem a atacar de maneira tortuosa. Em outras situações de profunda desesperança, acompanhado da inexperiência, trilhou caminhos esburacados mas que o levaram a seguir adiante, com perspectiva. Contudo, nem sempre é simples recomeçar. Ainda mais quando não se há a vista um motivo recompensador. Uma nova busca. Algo que o faça sorrir despretensiosamente, sem motivos, por apenas achar que vale a pena respirar.
Ao mesmo tempo em que a infelicidade cobre seu rosto pueril, um fragmento de alegria dorme em seu interior, acordando, de vem em nunca, para aliviar a tensão cotidiana. E traz, no momento inoportuno, batimentos em ritmo de hits nervosos, estridentes, desconfortantes. Pois é assim que ele se encontra, caído em pensamentos otimistas, acreditando que a fuga de tais sensações miseráveis não tardará a encontrá-lo, em algum lugar que haja um motivo qualquer para recomeçar. Ou em suas palavras, voltar a respirar livremente.
A dor e a insegurança se apossaram desse desafortunado sonhador. Embora seus dias não sejam mais sempre os mesmos, repletos de céus trevosos, ele ainda vive em cinzas. Diferentemente da ave mitológico, que renasce independentemente do que a abater, já não sabe mais se suas entranhas possuem força para bombear o líquido fervoroso, da cor de cabelos entorpecentes, que explode dentro das feridas ainda não cicatrizadas, devido ao contato contínuo com o flagelo causador de sua agonia em vias públicas. O sangue escorre por seu interior e sua bondade altruísta é como um barco a deriva num oceano fervente de ignorância coletiva, onde ninguém percebe que a tormenta um dia há de engoli-lo. Se é que já não foi engolido por ela…
Ele sente que o tempo, condutor de vidas, corre contra seus anseios de renovação. Parece que seus batimentos desaceleram a cada novo dia, tornando esses dias uma obrigação de estar entre os queridos para não desapontá-los. Porém, sua vontade, escondida aos olhares cegos da convivência, não é mais de lutar. Concomitantemente a esse torpor mental, que nubla seus propósitos, há dúvidas sobre os próximos passos a serem arriscados num mundo em que não há tempo para lamentações, pois o meio em que está inserido exige cada vez mais produtividade, sem ligar para os fatores exteriores que congelam almas perdidas.
Dor. Sensação miserável. Traiçoeira. Destruidora. Derrubou sonhos, trouxe insatisfação com a vida. Implantou discórdia entre realidade e fantasia, razão e coração. Distancia-o mais e mais de sua paz. Deixa-o infinitamente longe de sua vocação doadora de humano, sempre presente às angústias dos companheiros de pesar. E o aproxima de sua mera condição de homem, fadada ao sono sempiterno, cuja tentação em se despedir da dádiva divina ameaça pôr um final na sua existência. Eis a sensação que o dilacera a cada sinal de ingratidão, mesmo quando seus olhos se afastam de tal visão mortífera.
Como se não bastasse, a insegurança em caminhar sem direção é o novo desafio que se apresenta. Há pouco tempo, perdeu seus objetivos, seus desejos, suas quimeras. Andar em círculos pode ser atordoante, quando não sufocante. A insegurança é parceira dos fracassos, pois um homem sem confiança não discerne entre as escolhas que o podem levar a uma nova divisão e as velhas estradas manchadas de sofrimento noturno e domingos de sol aquecidos de suor na cama das lamurias.
Enquanto sua luneta não alcança novas perspectivas, as ilusões mantêm os singelos sopros de vida direcionados aos pulmões, cansados de tanto esforço para alimentar o interior arruinado, que acredita, valorosamente, que algo está a caminho de resgatá-lo dos silenciosos desprazeres que transformaram sorrisos em peças raras. Mesmo em cinzas, ele encontrou uma nova busca: o recomeço.

Vazio

•Outubro 14, 2009 • 3 Comentários

Antes dele, havia um vazio. E ela, pois então, não era completa.
Quem a visse, não desconfiaria que, em algum lugar a fundo, onde ninguém ousaria tocar, existisse uma lacuna a preencher e que ninguém, por mais que tentasse, poderia ocupar esse espaço disforme. Sua imagem não deixava isso transparecer, pois era a mais forte dentre todos ao seu redor. Tão forte que sempre parecia bem. Nada a afetava. É o que todos os demais pensavam.
Seu ponto fraco, escancarado até para qualquer um que a conhecesse presa no farol ouvindo rock n’ roll dentro de seu Fiesta, Uno, Escapade ou 307, conforme a conjuntura financeira, era a ausência materna. Materna, aqui, é bom frisar, em sentido amplo.
O tempo e sua duração são os mesmos, mas transcendem diferentemente para cada um. No caso, para ela, pode ter sido cruel, pesaroso, lento. Sua cruz não foi ver todos darem um próximo passo na vida antes de si, mas sim ter de ouvir comentários maldosos acerca de sua existência, ainda incompleta.
Não era infeliz. Mas vivia sem algo que mostrasse pelo o que vale a pena viver.
Vazio, muitas vezes, leva qualquer um, que não o preenche, ao ponto de desistir. No seu caso, como todo ser humano, houve fraquezas. Flertou com o suicídio, acreditando que a descida da serra litorânea pudesse ser um escape para fora do sofrimento solitário. Quem sabe não perdesse o controle do veículo (propositalmente)? Felizmente, ficou no flerte. Alguém, em algum lugar que os olhos não conseguem enxergam, olhava com amor por ela. Amor celestial.
Os fracos, enquanto incompletos, são inertes. Esperam o derradeiro dia da salvação. A libertação do sofrimento corrosivo para, enfim, conseguirem dar o próximo passo. Estagnam-se. Não acompanham as transformações e o movimento do orbe terrestre. Esperam. E esperam. E, quando não estão esperando, buscam a saída sem final feliz. Buscam liberar a essência, o suspiro, a alma da carne e da estrutura óssea. Desistem. E, apesar de ainda conviverem, não vivem. Já morreram. O vazio cresce e ocupa os sorrisos casuais da humanidade.
Ela não se enquadra nisso. Soube esperar o momento certo. Construiu pilares familiares, amorosos, financeiros e ideológicos. Não que esses fatores fossem capazes de completá-la, de forma alguma. Mas encobriam a carestia existencial.
Quem a viu e a vê agora, dificilmente dirá que houve mudanças. A personalidade ainda é forte. Ainda é considerada louca. Ainda reclama, chora, grita, sorri, curte a vida. Não passa vontades.
O que se mais deseja, provavelmente, demorará a chegar. É um percurso longo e cheio de obstáculos. Somente alcançam aqueles que não se entregam aos desprazeres cotidianos. Para ela, obstáculos existiram aos montes. Mas não eram capazes de a derrubarem.
Hoje, ele tem dois anos. E ela já não tem mais o vazio.

Grandes homens

•Setembro 25, 2009 • 2 Comentários

Segundo meu amigo, colega de redação e futuro editor-chefe da Revista Carta Capital, Marcelo Martins, eu deveria postar neste blog o texto descritivo feito na aula de Oficina de Redação, do 4º semestre do curso de Jornalismo, sobre o Rei do Pop. Decidi seguir seu conselho. Além disso, resolvi também postar o texto da aula anterior, da mesma disciplina, sobre uma pessoa muito especial, cuja descrição fluiu praticamente sem esforço.
Abaixa, seguem as descrições de dois grandes homens:

Superlativo de astro é seu nome. Origem, negra, assim como o ídolo James Brown. Dentre os cinco irmãos, o mais talentoso. Sozinho, gênio. Ao contrário da humanidade, o tempo não o amadureceu. Rejuvenescimento mental. Como num conto de fadas, a Terra do Nunca habitou. Já branco como a neve, pedófilo o chamaram.
A arte perdeu espaço para suas loucuras, como quando ameaçou jogar o filho da sacada do apartamento. Filho, aliás, que sabe se lá é seu. Tentaram deteriorar seu nome. Sua imagem, ele próprio corroeu. Com o Demerol, afagava sua dor. Se foi. O mundo parou.
Dizem que o vício o matou. Hit atrás de hit o mundo ele viciou. Ao contrário da humanidade, a morte o eternizou. Superlativo de astro: Michael Jackson.

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Em sua casa, costuma falar pouco. É extrovertido do portão pra fora. Seu filho quase não o vê. Sabem da vida um do outro através da mulher que com um casou e o outro pariu. Se as coisas não vão bem financeiramente, a raiva, que amarga seu coração, o acompanha até em casa. Se já é quieto em sua natureza, com isso fica áspero, seco, ao ponto de explodir. Grita com cada gol perdido de seu time. Comemora em copos de cerveja um belo dia de serviço. Dificilmente diz “não”, tem coração mole. Não é de questionar as saídas do único filho. Apenas dorme quando ele chega. 

PS: os textos são exatamente os mesmos produzidos em aula, tanto que aparecem até sem título

Cada um tem seu Demerol

•Setembro 17, 2009 • 3 Comentários

“Eu tenho que encontrar um jeito de não deixar minha dor queimar até os ossos.”

Sofrimento já não é novidade em sua alma. Aliás, um tanto contraditório, é com sofrimento que sua alma se liberta das faíscas que afligem sua harmonia. Às vezes, as ligeiras faíscas, assim como um relâmpago que traz temores numa noite de céus escuros, cruzam seu corpo com uma intensidade de rachar as estruturas. Não importa de onde e como venha esse fogo que dilacera seu coração e deturpa sua mente, ele sempre recorre a droga, ao vício, ao fanatismo para refletir e, em consequência, amainar o incêndio dentro de si. Em outras palavras, gruda seus ouvidas a morfina esquizofrênica, sua única saída, embora sem prescrição médica.
Cada uma das doses dura, em média, 3 minutos, e ele as digere quantas vezes forem necessárias, até apaziguar sua infelicidade. Somente ele entende o prazer do vício. Apesar de não serem medicamentos, algumas pessoas encaram sua morfina sonora como remédio de tarja preta. Acreditam que trazem efeitos colaterais, como surdez com o passar dos anos. Os rótulos estampam-se com nomes como “Eu Pertenço a Algum Lugar”, “Quebrar o Hábito”, “Nova Divisão”, “Rastejando”, “O Que Eu Fiz”, “Entorpecido”, No Fim” etc. Nas bulas, a advertência é direta: não se trata do elixir da vida; para alguns, o desconforto aqui presente tem esse efeito; corre-se o risco.
Às vezes, não há saída natural. Quando isso ocorre, é hora de recorrer a mais uma injeção sônica. Esse remédio, contudo, não funciona apenas com o padecimento de mais uma falsa esperança. Em muitas ocasiões, libera a raiva. Em outras, subsidia reflexões filosóficas. Rap, gritaria, guitarras estridentes, eletrônica empolgante. Seu vício é esse. Sua libertação é essa. Sua paz, seu mundo, sua nova vontade de viver. Tudo vem desse desconforto confortante.
Um amigo inventa mil e um personagens, cria inúmeras histórias, adora codinomes. A situação é a mesma. A morfina é outra. Senta-se em frente ao computador e expõe seu sofrimento com crônicas de corações partidos. É uma amante das letras. Encontra na poesia a beleza que não vê no dia-a-dia. Isso, porém, o machuca, pois a inspiração não é companheira da glória, mas sim parceira da decepção.
Uma outra empanturrá-se de chocolate, como se o doce fosse mágico. Ou melhor, celestial. O néctar dos deuses. Alguém qualquer estoura o cartão, com roupas e objetos decorativos que vão decorar apenas um canto sem vida de um cômodo. Há alguns que lêem toda a obra de Machado de Assis em dias, pois adoram saber que certas histórias têm fim. Outro caso é daquele rapaz que desconta sua aflição ao ver os guerreiros de seu time entrarem em campo. O objetivo é que seus nobres soldados massacrem a equipe rival, já que ele não pode arrancar o flagelo que se alojou em algum lugar dentro de si. Não podemos esquecer daqueles que correm atrás de um cavaquinho e “leleleleles”. A falta de poesia não diminui o efeito da droga, em contra partida, apenas aumenta a facilidade do efeito de liberdade, movimentando-se através de  seus quadris, ávidos por mãos ligeiras.
E não são apenas os meros mortais que se viciam em ilusões confortantes. O Rei cantava: “Demerol, Demerol/ Ai, Deus, ele está tomando Demerol”. Quem é ele, afinal? É você mesmo. Você, leitor, que se viciou em ler blogs para cobrir suas noites de profunda solidão. Não podemos dizer se o vício o matou ou não, ou se o exagero traz o mesmo fim a todos. Caso sim, então, infelizmente, menos vida me resta. Acabo de pôr meus fones no ouvido.

Céus Negros

•Setembro 3, 2009 • 4 Comentários

Todos os dias, ao mesmo horário, ele desperta com o piano halloweeníco programado em seu celular, provindo de um de seus hits favoritos, retirando-o do sono tranquilizante. Dependendo do tamanho do fracasso do dia anterior, volta aos prazeres do sono, que, muitas vezes, abrange sua manhã quase por completa.
Quando, de fato, desperto, o primeiro pensamento remete a sua decepção de ontem. Os jornais de todas as manhãs já perderam a graça, merecendo apenas uma simples olhada nas manchetes, que, por sua vez, o deixam com arrependimento por não ter levantado mais cedo. Mas o fracasso, que o controla por baixo da pele, fala mais alto, e, desse modo, não encontra ânimo para atualizações matinais.
A velha revista sobre sexo, drogas e rock n’ roll ainda se encontra no mesmo lugar do mês passado. A próxima edição já está para chegar às bancas, mas ele só leu uma dezena de páginas da centena da última edição. Ao lado da Tevê que permanece desligada, há uma pilha de livros, alguns de técnicas jornalísticas, algumas reportagens e diversos literários. Já há um tempo, nenhuma das obras é tocada pela sua mente, a não ser alguns poucos relatos literários facilmente confundidos com auto-ajuda.
Assim, a  manhã passa sutilmente, e percebe como é surreal cada parte do dia ter a mesma quantidade de horas, embora algumas sejam mais duradouras que outras. Enfim, após minutos de sobriedade, é hora de trabalhar. A farda já não é  mais tão pesada, pois a rotina fez seu papel ao transformar o que era exótico em natural.
O percurso para o trabalho é sempre o mesmo. Ele não. Com o céu azul, um fragmento de otimismo planeja o dia que trilhará a partir do momento que atravessar a entrada do prédio da empresa. Ainda no ônibus da rota da labuta, seu pensamento é distante. Distrai-se ouvindo guitarras estridentes sob versos reflexivos. Outras vezes esforça-se para ler algumas páginas de um livro que demorará semanas para ser absorvido integralmente. Mas se o fracasso for tão profundo, cola o rosto à janela para observar os carros caindo aos pedaços e os mendigos que parecem não reivindicar nada da vida, ambos locomovendo-se pelas ruas sujas, sem novos caminhos.
São cinco horas diárias dedicadas a apuração do funcionalismo. Em meio aos colegas de profissão, geralmente fala pouco, não porque não tem vontade, mas lhe faltam motivos para rir do casual. Às vezes se sente como um operário em uma linha de produção, pois seus informativos se assemelham tanto que não consegue  mais distinguir o que realmente produziu no dia.  Procura não se aborrecer durante as tardes. A hora da libertação se aproxima, ao mesmo tempo que o céu, contudo, começa a se transfigurar numa tonalidade sombria. 
No caminho para a rede de ensino, pensa nos milhares de deveres que deve dar conta durante os poucos meses que ainda restam para o término de um tempo nublado, estranhamente conhecido como semestre. Tais pensamentos rapidamente se dissipam, cedendo espaço a felicidade momentânea de imaginar um sorriso.
O sorriso não acontece, e se encontra sob céus negros, enquanto os relâmpagos cintilam ao seu redor. Os amigos nada percebem. E a agonia preenche o vazio de mais uma noite soturna, como se fosse a oitava vez numa semana de sete dias. Suas brincadeiras já não são tão frequentes e, quando acontecem, são resultantes de um esforço hercúleo.  Não há mais graça.
Embora com os olhos ofuscados, resta observar os amigos, que, para ele, se divertem, aprendem, superam medos, vivem. Dessa forma, uma gota de felicidade atinge seu coração, mas não é suficiente para salvar o dia. Dentro de si há um conflito: quer dirigir sua atenção ao quadro-negro, mas algo o impulsiona a seguir por outra direção, que permanece fechada e não deverá ser aberta, pois é tempo de céus negros.
Mais um dia é desperdiçado. Permanece a ilusão do sono tranquilizante, que, um dia, resolverá seus pesares, acredita. Em tempo de céus negros, não encontra mais discernimento para fazer valer a pena lutar. As lágrimas não escorrem. Internamente, só alimentam seu sofrimento. O fracasso se repete. Amanhã é um novo dia, somente para os outros, pensa. Para si, uma repetição de desapontamentos consigo próprio. Sua esperança é que os céus negros o deixem, o percam de vista, ou selem um armistício. Somente assim para o sorriso voltar.

Capital Inicial dispara hits em noite inspirada na capital paulista

•Agosto 31, 2009 • 2 Comentários

Sua origem é de Brasília. São Paulo é a sua cidade por adoção. Foram dois anos sem tocar na capital paulista, mas em noite muito inspirada com público de 6 mil pessoas no Credicard Hall, o Capital Inicial, enfim, pôde matar a saudade dos fãs paulistanos, com show de duas horas da turnê de seu último disco, o CD e DVD “Multishow Ao Vivo: Capital Inicial”.
Com um hit atrás do outro, a banda, que tem mais de 20 anos de estrada, preencheu a noite do último sábado com músicas de três décadas. Começando com “Mais”, do início dos anos 2000, com refrão que se encaixa ao que o público deseja de um show de rock: “Eu quero sempre mais que hoje/ Eu quero sempre mais que ontem/ Eu quero sempre mais do que eu posso ter”. Em seguida, o Capital Inicial emendou “O Mundo”, hit que trouxe a banda de volta às paradas, no fim da década de 1990. A terceira canção foi a famigerada “Independência”, representando os primeiras anos, ainda na década de 1980.
Da mesma origem da Legião Urbana, o Capital Inicial não deixa de lado músicas do Aborto Elétrico, banda que, quando separada, teve suas canções divididas entre as duas bandas brasilienses.  O nome pode ser datado, mas “Geração Coca-Cola”  ainda faz jus ao sentimento social, arrancando coro do público. 
Com um Dinho Ouro Preto visivelmente emocionado, a balada “Não Olhe Pra Trás” foi alongada. E, a pedido do vocalista, mais um coro para um refrão otimista: “Se não faz sentido/ Discorde comigo/ Não é nada demais/ São águas passadas/ Escolha estrada e não olhe…/ Não olhe pra trás”. O belo momento de baladas é completado por “Eu nunca disse adeus”, com o boneco inflável do disco “Gigante” aparecendo ao lado do palco, a lindíssima “Olhos Vermelhos” e o clássico “Primeiros Erros”, que proporcionou um dos muitos momentos a capella da apresentação da banda.
Para fazer barulho e, ao mesmo tempo, esquentar o ambiente com pirotecnia, a música mais rock n’ roll causa elevação de corpos na pista. “A vida é minha (Eu faço o que eu quiser)”, de refrão homônimo, mostra um Capital Inicial muito mais roqueiro do que já é. Mas sobre rock n’ roll nada se compara ao surpreendente cover de “Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin. É fato que Dinho se esforçou muito para cantar esta canção. O esforço, porém, foi válido, pois se mostrou um exímio vocalista, além de marcar seu esteriótipo de roqueiro.
Uma banda de Brasília que se preze não pode deixar o espírito político de lado. Dedicada especialmente a José Sarney, Fernando Collor e Antonio Palocci, “Que País É Esse?”, sucesso da Legião, marca presença nos shows do Capital. Segundo Dinho, só faltou Paulo Maluf para formar o quarteto dos cavaleiros do Apocalipse.

show - capital

Dinho Ouro Preto canta "Fogo", em noite de 6 mil pessoas no Credicard Hall

“Quatro Vezes Você”, com pirotecnia, “Natasha”, com boneco inflável, e “À Sua Maneira”, com chuva de papel picado, levam a galera ao delírio, causando uma disputa pela camiseta do vocalista durante a última.
Alguns minutos para botarem o palco em ordem, os roadies se encarregam de limpar o set de bateria, enquanto o Polvo, mais um boneco inflável, surge no palco. No bis, “Fogo”, para os corações apaixonados. Anunciada com a última da noite, “Veraneio Vascaína”, censurada pela ditadura, agora pode transformar a pista num mar de gente nada calmo.
Atendendo a pedidos, o bis que deveria conter apenas das canções foi alongado. Assim, “Por Enquanto”, sucesso na voz de Cássia Éller, teve uma versão a capella. Logo após, vem uma versão baixo, batera e voz de “O Passageiro”, com versos na ponta da língua dos mais fanáticos. E, como não se encerrava a apresentação, “Tudo Que Vai” fica a cargo de Dinho e do público.
Depois de dois anos, São Paulo é agraciada com uma noite de rock n’ roll da melhor qualidade. Não por uma banda local, mas por uma que escolheu a cidade por laços afetivos. Os fãs não devem se desesperar por um próximo show, que não deve demorar tanto, já que o Capital Inicial já está gravando seu próximo disco. Mais rock n’ roll vem por aí.

Um duelo pelo segundo lugar

•Agosto 25, 2009 • 1 Comentário

Qual é o maior clássico do futebol paulista? Todo mundo sabe que é Corinthians X “segundo time da cidade”, que ainda ninguém sabe qual é. Pois então, por rivalidade e histórico, Corinthians X Palmeiras, tendo, por incrível que pareça (sim, sou subjetivo), o time alviverde mais vitórias no Derby do que o campeão dos campeões. Já por proporções populacionais, Corinthians X São Paulo, desta vez com o Timão levando ampla vantagem, no clássico conhecido como Majestoso.
Agora, no entanto, não é hora de falar sobre o futuro campeão da Libertadores 2010. Domingo, no Morumbi, São Paulo e Palmeiras realizam mais um Choque-rei, o terceiro do ano, que deve trazer boas emoções. Palmeiras, líder do campeonato brasileiro, não vence o rival no Morumbi há anos, e, com uma vitória, pode abir ampla vantagem na disputa pela título. Já o São Paulo, terceiro colocado no campeonato, caso vença, se aproxima do líder, estabelecendo apenas um ponto entre os segundos times da cidade de São Paulo.
O que chama a atenção para o clássico é a trajetória dos dois times neste ano, o 2009 Fenomenal. Ambos eram favoritos no Paulistão, e ambos sucumbiram diante dos rivais alvinegros. O Verdão perdeu duas vezes para o Santos na semifinal, sendo eliminado num sábado. O Tricolor, o time invencível, tri-campeão brasileiro, único hepta-campeão, esfaleceu-se diante do campeão da série B do Campeonato Brasileiro, aquele time que só ganha Paulistinha, mas, em compensação, nunca afina diante do Tricolor em decisões. E, assim, no domingo seguinte a queda alviverde, o São Paulo ruiu diante do Corinthians, entrando na fila de três anos sem vencer o Timão.
Outro fato que une os destinos secundários paulistanos é a eliminação na Taça Libertadores da América. Mais uma vez, o Palmeiras foi precoce, obtendo outra eliminação um dia antes do São Paulo. Ambos caíram nas quartas-de-final da competição (ao mesmo tempo que o  Corinthians se classificava para a final da Copa do Brasil; competição que viria a vencer um pouco a frente). Além da eliminação, Vanderley Luxemburgo, o chorão técnico do Palmeiras, e Muricy Ramalho, o aborrecido técnico tricolor, foram dispensados.
O Verdão não entrou em crise. Pelo contrário, se focou no Brasileirão e assumiu a ponta da tabela (quero ver até quando…). O São Paulo visitou a zona… do rebaixamento, não a frequentada por simpatizantes do clube do Morumbi. Porém, se reergueu, e com voracidade. Foram sete vitórias seguidas. E, dessa forma, ganhou o apelido de Jason, personagem do filme “Sexta-feira 13″ – apelido que, convenhamos, ninguém entende o porquê; ao contrário de bambi…
Os destinos finalmente se encontrarão neste domingo. Muricy, ídolo tricolor, agora é do Verdão, seu time de infância. Ainda sem títulos no ano, a única oportunidade para preencher a lacuna é o Campeonato Brasileiro, podendo o São Paulo ou Muricy serem tetra. Para o Palmeiras, vale o primeiro título na era dos pontos corridos. Já são 15 anos sem ganhar o principal campeonato nacional e é o único entre os grandes paulistas sem a taça no recente modelo do campeonato.
Se o Choque-rei ganhará o apelido de Fred X Jason ou Três Porquinhos (Marcos, Diego Souza e Muricy?) X Bambi após o clássico deste domingo, não sei. Também não é possível afirmar se um dos clubes se firmará como o segundo time representante da cidade. O primeiro tem lugar garantido. Com otimismo, talvez, saberemos qual personagem holliwodiano é mais forte no momento, ou qual virá a ser o próximo remake da Disney.

Em projeto paralelo, Bennington se mostra mais roqueiro

•Agosto 20, 2009 • 1 Comentário

Enfim, Chester Bennington pode cantar uma música de puro rock n’ roll. Já há nove anos no cenário musical com o Linkin Park – vendendo milhões de álbuns mundo afora e emplacando um hit atrás do outro nas rádios e na MTV -, o vocalista lança o primeiro single de seu projeto paralelo, o Dead By Sunrise, em que, reunido de amigos da banda Julien-K, detona tudo na canção “Crawl Back In”.
De longe o membro mais roqueiro do Linkin Park, Bennington sempre se saiu muito bem dividindo os vocais ao lado de Mike Shinoda, que se incumbe de despejar frenéticas rimas sobre as guitarras estridentes da banda. No entanto, é complicado dizer que o LP é uma banda de rock. Além da hibridez inovadora de seu som, responsável por alçar a banda entre as maiores da década, a música do sexteto nunca seguiu uma linha de rock.
Algumas faixas que se enquadrariam no rótulo de “roqueiras” poderiam ser ”No More Sorrow”, “No Roads Left”, “Given Up” e, com muito esforço, “What I’ve Done”.  Coincidência ou não, todas contam com apenas um vocal, ou seja, todas sem rap. Mas o LP não soa como uma banda de rock. A música não é baseada em guitarra, baixo e bateria. Vai muito além disso. 
Já com o Dead By Sunrise, Bennington tem liberdade de fazer rock. “Crawl Back In” é uma perfeita primeira impressão de como o projeto deve soar. A música lembra elementos de Guns N’ Roses, Bad Relligon, Velvet Revolver; tem pegada punk num rítmo hard rock. Tudo o que o LP não é. “Crawl Back In” possui apenas 1/6 do som do Linkin Park: os característicos gritos de Chester Bennington e refrão cativante. Agora, resta esperar 13 de outubro chegar logo, para que o disco “Out of Ashes” chegue às lojas, com um Chester Bennington mais roqueiro do que nunca.
Os fãs do Linkin Park com certeza não ficarão decepcionados. O single lançado pelo vocalista que inspira suas mentes conturbadas já foi aprovado pelo maioria dos jovens que acompanham o LP desde suas raízes. 
“New Divide”, única canção do Linkin Park lançada neste ano, tema do filme “Transformers: a vingança dos derrotados”, cumpre belo papel ao preencher a lacuna entre o último disco da banda, “Minutes to Midnight”, de 2007, e o tão aguardado quarto álbum, a ser lançado no próximo ano. Esta canção, que apesar de não possuir rap, também não entra no time de rock do Linkin Park. Samplers são facilmente confundidos com guitarras e os sintetizadores levam a banda a um ponto confortante de trabalho, em que Bennington contrasta o cantar calmamente dos versos com um refrão poderoso. Isso é Linkin Park.
Dead By Sunrise… é rock n’ roll.


Quem quiser identificar as diferenças entre o trabalho de Chester Bennington no Linkin Park e no Dead By Sunrise pode assistir as performances de ambos os grupos no Sonisphere Festival, em
Knebworth, Inglaterra, do dia 1º de agosto.

 
“Crawl Back In” foi tocada durante o primeiro bis do Linkin Park. A banda saiu do palco e deixou Chester cantar três músicas com o Dead By Sunrise.

“New Divide” foi uma das últimas tocados na noite.  Após o Dead By Sunrise finalizar sua curta performance, Linkin Park retorna ao palco, iniciando o segundo bis com sua música mais recente.