Os sinos dobram na amizade

Depois de uma determinada idade – o início da vida adulta, para ser mais preciso -, certas frustrações tendem a ser minimizadas. Isso acontece, por um lado, por causa de nossa experiência em lidar com situações de insucesso e, por outro, porque, à medida que envelhecemos, passamos a nos pressionar para sermos cada vez mais fortes. Ou seja, mais resistentes a certas tristezas.

O crescimento traz consigo a responsabilidade, a maturidade e o equilíbrio, ao mesmo tempo em que nos exige, porém, enfrentarmos situações muito mais adversas do que já havíamos passado, até porque já estamos mais preparados para isso. Mas, se me permite John Donne, nenhum homem é uma ilha.

Geralmente, quando nos encontramos em momentos adversos, nos sentimos como se estivéssemos isolados do mundo. É como se todos os que nos rodeavam em dias de abundante alegria tivessem partido, nos deixado à deriva. Infelizmente, isso não é apenas uma suposição. Boa parte – leia-se a quase a totalidade – das pessoas que estão com a gente compartilham situações e momentos conosco, e não necessariamente são nossos amigos.

Se observarmos bem, temos companhia para ir a jogo do nosso time, para ir à balada, ao cinema, a um show (ainda mais se tivermos um ingresso sobrando), bater papo nos intervalos de aulas, entre outras situações. Mas, muitas vezes, a convivência é limitada a uma única situação. É raro quando alguém se dispõe a nos acompanhar em algo que é muito importante ou interessante para nós, mas que para essa pessoa não significa absolutamente nada. Ou seja, se a situação ou momento também é de interesse de nosso amigo, ele estará lá conosco. Do contrário, cada um segue seu próprio caminho.

Embora no mundo de hoje tempo livre seja escasso, sempre encontramos uma forma de fazermos o que gostamos. Eu, por exemplo, não deixo de ouvir, um dia sequer, uma boa música e procurar canções que desconheço. E mesmo nessa falta de tempo podemos perceber que, em inúmeras situações, a nossa simples presença pode trazer dias melhores para outras pessoas.

Nesse ínterim de cotidiano atribulado, já fui chamado de “amigo”, “amigão”, “brother”, “pessoa rara” – muito em função de compartilhar palavras de apoio e esperança e estar presente em situações em que minha presença era algo totalmente desnecessário. Contudo, quase a totalidade das pessoas que me adjetivaram sumiu. Quando seu tempo para balada, jogo de futebol e barzinho se reduz, seu círculo de amizade automaticamente diminui. Em outras palavras, os “amigos” que compartilhavam situações, assim que estas decrescem ou se extinguem em nosso cotidiano, não terão mais motivos para estar conosco.

A felicidade é outro ponto relevante. O que mais gostamos de fazer com os amigos? Ou qual seria o papel da amizade? Às vezes, tudo o que queremos é, simplesmente, espairecer, jogar conversa fora, rir, tirar o peso do mundo sobre os nossos ombros. Mas quando dizemos que estamos em um momento difícil e chegamos até a implorar para que pessoas cedam parte de seu tempo e afeto para nós, nos equivocamos. Implorar é um verbo insociável à amizade.

Quando transparecemos que estamos em um momento difícil, os amigos de ocasião não só não nos estendem a mão, como também, muitas vezes, nos taxam de deprês e frágeis. Ora, mas não é amizade a responsável por nos ceder ombros em que podemos dividir o peso do mundo?

Portanto, mesmo que o mundo caia sobre nossa cabeça, dizer que está tudo bem é muito mais benéfico se tratando de amizades superficiais, porque ninguém realmente quer saber de nossos problemas, mas sim de quando estaremos disponíveis para ir ao jogo de futebol, ao barzinho, à balada.

Felizmente, a vida não é só feita de “amigos” de ocasião. As mensagens de apoio e esperança retornam a nós através dos raros fiéis amigos. Para eles, não há porque economizá-las, pois, embora enfrentem a falta de tempo, sempre terão ao menos alguns minutos para nos ceder seus ombros.

Às demais “amizades”, cedo ou tarde, os sinos dobram.

Jornal dedicado à carreira pública regionaliza o noticiário

Por @DuVasconcelos, @Fradimmarcelo e @Sismone

O jornalismo segmentado não é suficiente para atender a demanda de um público específico. O segredo é a regionalização do noticiário, afirma o diretor da sucursal de São Paulo do Grupo Folha Dirigida, Antônio Steter. Há 25 anos no mercado, a Folha Dirigida, jornal voltado à carreira pública, descobriu que, embora o interesse do leitor seja o mesmo em qualquer lugar do país, o noticiário deve se adaptar ao público de cada região. “A regionalização fez com que o grupo assumisse a liderança deste segmento em todo o país, inclusive no Estado de São Paulo, onde já havia um jornal voltado à carreira pública antes do nosso.”

O interesse da população pela carreira pública não é novidade, uma vez que a chance de um emprego estável e ascensão profissional são características do funcionalismo. O papel do jornalismo especializado em carreira pública é transformar esta oportunidade de emprego em informação jornalística. “Nossa linha editorial prima pelo conteúdo jornalístico. Não é pegar um edital de concurso e publicá-lo, não é um diário oficial. O diferencial está na antecipação da informação”, explica Steter.

Portanto, quando um órgão público demonstra interesse ou abre processo de licitação para contratação de organizadora, a Folha Dirigida noticia. “Como há um número enorme de pessoas que querem ingressar à carreira pública, é preciso que o candidato se prepare para as provas. Muitas vezes há um período curto entre a publicação do edital e a prova”, afirma o editor Fernando Cezar Alves. Desta maneira, a informação antecipada faz com que o candidato inicie os estudos muito antes da publicação do edital.

Fernando Alves diz que a pauta do jornal não se limita a acompanhar o processo do concurso, da sua divulgação ao resultado final, mas também se manter ao lado do candidato no que for necessário, caso seja constatada alguma irregularidade. “O concurso é um processo de certa forma técnico. Procuramos fazer matérias que fogem um pouco desta lógica, mas que sejam de interesse do leitor. Por exemplo, se for sair um edital para determinado cargo, procuramos ouvir quem já trabalha nesta área para que ele explique baseado em sua experiência como ela é aos futuros candidatos”, diz Alves.

Segundo a repórter Eliane Anjos, o jornalista desta área deve conhecer os órgãos públicos e suas funções; acompanhar a agenda das autoridades, promulgação de decretos e leis; descobrir o que tem sido feito para valoração do funcionalismo; e não se prender ao oficialismo, como confrontar informações de sindicatos, órgãos, organizadoras e servidores.

“A linha editorial do jornal independe do governo, dos cursos preparatórios e das organizadoras. Não temos vínculo com ninguém. Contratou sem concurso, o jornal denuncia e faz movimento contra isto”, diz Steter. Segundo o diretor, o grupo planeja promover debates entre autoridades e sindicalistas e realizar seminários acerca do funcionalismo. “A função do jornal é trazer, dentro do nosso negócio, este debate à sociedade”, conclui Steter.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.