Venceu adversários, perdeu para si

A superação de graves lesões marcou a carreira e o espírito de Ronaldo. O corpo, no entanto, se rendeu às dores

Além de ostentar a camisa 9 da Seleção Brasileira por anos, ser multicampeão pelos clubes que jogou e se tornado o maior artilheiro das Copas do Mundo, Ronaldo Nazário ficou mundialmente conhecido por ter superado as adversidades físicas que o futebol o impôs. Mas, aos 34 anos, em meio a uma rara noite de solidão, o Fenômeno só ouviu uma voz: a dor. E num dia atípico para o esporte, uma segunda-feira, o futebol o perdeu. Ronaldo pendurou as chuteiras.

Na entrevista coletiva no Centro de Treinamento do Corinthians, para mais de 200 jornalistas, Ronaldo, emocionado, anunciou a sua aposentadoria em meio a agradecimentos e revelações. A despedida do esporte que consagrou o menino do subúrbio do Rio de Janeiro foi antecipada. A intenção de Ronaldo era se aposentar no fim do ano, com o término da temporada 2011 do Corinthians. Mas uma série de fatores fez com que o jogador decidisse parar. “Perdi para o meu corpo”, sintetizou Ronaldo.

A história é parecida com a do tenista Gustavo Kuerten. Em seu último jogo, Guga, em lágrimas, disse que “não é que eu não queira mais jogar, mas não consigo mais”, em consequência do problema nos quadris. Ronaldo revelou que, depois da ruptura do tendão patelar do joelho esquerdo, em 2008, quando jogava pelo Milan – contusão idêntica à sofrida no joelho direito, em 2000, na Internazionale -, foi diagnosticado que o jogador seria hipotireóidico. E isso seria o motivo da sua briga com a balança. “Para quem fez chacota do meu peso, não guardo mágoa de ninguém”, disse aos jornalistas.

Entretanto, desde a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, Ronaldo já lidava com a condição física adversa. Os motivos principais de sua aposentadoria foram outros. Primeiro, o “fracasso” no projeto Libertadores da América com o Corinthians, que culminou na derrota ante o Tolima, em Ibagué (Colômbia), o último jogo de Ronaldo. Dias após a eliminação do time, Ronaldo postou no microblog Twitter que havia pensado em parar, mas não daria “esse gostinho aos críticos” e que ainda o veriam dar mais uma volta por cima. Foi então que o atleta sucumbiu às dores.

Ronaldo revelou que sente dores até para subir escadas. A sucessão de lesões perseguiu o jogador, tirando-lhe cerca de três anos de carreira dedicados à recuperação. Ao voltar ao Brasil, em 2008, Ronaldo utilizou as instalações do Flamengo para se recuperar. No fim daquela ano, foi contratado pelo Corinthians, e, no ano seguinte, teve uma temporada quase perfeita com o time paulista. A reabilitação aos gramados veio sob o comando de Mano Menezes, com as conquistas do Campeonato Paulista, de maneira invicta, e da Copa do Brasil. No clássico contra o Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro de 2009, Ronaldo teve uma fratura na mão direita e desde então não conseguiu manter uma longa sequência de jogos.

Em 2010, Ronaldo teve uma temporada difícil. A ausência em boa parte dos jogos do Corinthians foi por causa de “dores que vão de uma perna a outra”. Na reta final do Campeonato Brasileiro, quando o time liderava a competição, Ronaldo sofreu a sua última lesão e teve de ser substituído, no jogo contra o Vitória. O Corinthians não só não venceu como também perdeu a liderança do campeonato naquela partida.

A pedido do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, a quem Ronaldo chama de “irmão”, o jogador teria postergado a aposentadoria para 2011, quando, anteriormente, havia pensando em deixar o futebol no ano passado. Além de se pôr à disposição do time para assuntos extra-campo, Ronaldo agradeceu também aos demais clubes por quais passou – São Cristóvão, Cruzeiro, PSV Eindhoven (HOL), Barcelona (ESP), Internazionale (ITA), Real Madrid (ESP) e Milan (ITA) -, que o fizeram ter uma carreira vitoriosa.

Sem tantas lesões, não seria uma carreira marcada por vitórias de superação. Houve derrotas, mas que não conseguiram tirar de Ronaldo a marca de jogador mais popular dos últimos 20 anos. Segundo o próprio jogador, “foi lindo”.

O futuro

Ronaldo deixa os gramados, mas não o futebol. O ex-jogador vai se dedicar à empresa de marketing esportivo a qual é sócio, a 9ine. O foco da empresa é patrocinar e cuidar dos negócios de atletas que despontam em seus esportes. Não são promessas, mas sim realidades. O lutador campeão de MMA Anderson Silva é um dos assessorados por Ronaldo. As jovens estrelas do Santos Futebol Clube, Neymar e Paulo Henrique “Ganso”, são nomes visados pela empresa.

Ronaldo também pretende criar uma instituição voltada às crianças, a qual ele deu o nome provisório de “Criando Fenômenos”.  Sem revelar muitos detalhes, Ronaldo disse que ainda é uma ideia sem data prevista de inauguração. Ainda na entrevista, Ronaldo se pôs à disposição do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, para ser um embaixador do clube.

Obs: texto baseado em jornalismo de revista escrito em fevereiro ou março de 2011 para a faculdade.

Sempre é tempo de esperança

Não importa o que aconteça, você sobreviverá a tudo. Um professor me disse isso há algumas semanas, em função de eu ter passado por dias difíceis recentemente. Com certeza, os mais difíceis de toda a vida. Os 365 dias que separam o último aniversário do qual comemoro hoje, aliás, foram repletos de dias difíceis. Porém, é a lei da vida, e esses dias tendem a ser mais frequentes. Bem-vindo ao mundo dos adultos.

Na verdade, é necessário fazer uma reparação. Foram apenas duas semanas difíceis. No mais, todas as frustrações nada mais eram do que tolices. Infelizmente, não que eu não soubesse, mas somente pude perceber isso quando algo realmente importante ameaçou desmoronar.  E, como de costume, sempre que algo desse tipo te acomete, outras coisas ruins tentam aproveitar esse momento para te derrubar. Mas tem de aguentar firme, o peso do mundo vai te dar a força para seguir em frente.

Entre um show de rock histórico em Itu, reconhecimento profissional e o poder do amor familiar, o que de mais importante eu aprendi do último aniversário para este é que você não pode basear a sua felicidade em coisas que estão fora de seu controle. Antes que os bem-aventurados que só conhecem a dor do amor joguem pedras em mim, explico: todas as coisas externas a nós, embora nos deem sensações boas, não podem ser a nossa fonte de felicidade. Por quê? Porque o mundo não vai sorrir para nós o tempo todo.

Quando você deposita sua felicidade em fatores externos é como se a deixasse à mercê da sorte. Não podemos negar, volto a dizer, que esses fatores externos nos trazem alegria. Quem não gostaria de ter um amor correspondido, ir a um show de sua banda favorita, conseguir o emprego tão sonhado, ter amigos para todos os momentos? Pois então, todas essas coisas, para citar algumas, não estão sob o nosso controle. Por mais que você se esforce, não depende apenas de você para que tais circunstâncias acontecem em sua vida.

Você pode se dedicar ao máximo por alguém, mas isso não significa que terá reciprocidade. Você pode ter todos os atributos e habilidades para um determinado cargo, mas, novamente, isso não te garante a conquista da vaga. Entre outros exemplos, boa parte das coisas que almejamos se resumem em sermos aceitos. Queremos ser aceitos como casal, como profissional, como amigo, como familiar querido etc. E por mais que nos esforçamos, ficamos sob a aprovação de outras pessoas. E ouvir um “sim”, em qualquer situação, é muito mais raro do que um “não”.

Geralmente, a consequência da negativa nos traz dor e tristeza. É a frustração. Mas, se pararmos para pensar, percebemos que nós construirmos a maioria de nossos problemas. Nossas frustrações são frutos de nossos objetivos não realizados. E os problemas não nascem de mera praxe do destino cruel, mas porque cometemos erros com nós mesmos.

Porém, por mais que saibamos dessas coisas, ninguém é um robô. Ficar chateado faz parte do espírito humano. Cair em tristeza profunda, no entanto, é um engano. Portanto, não deixe a sua felicidade sob o controle de fatores externos, pois, ao longo da vida, vão mais te ignorar do que sorrir para você, e isso pode te deixar doente do coração. E, se por ventura cair em desespero, lembre-se que sempre haverá esperança. O mundo, com seu poder de nos deixar doentes por tanto motivos, pode nos tirar tudo, menos a esperança. Mesmo se uma bomba atômica explodisse e você sobrevivesse, ainda haveria esperança.

Felizmente, ainda há neste mundo doente um lugar em que não é necessário ser aceito. Um lugar onde você será bem-vindo todo o tempo, não importa o que tenha feito. Um lugar que você pode voltar sempre que a desesperança te ameaçar. E a ele nós chamamos de lar. Deixe as tristezas para trás, pois sempre é tempo de esperança.

“Do you feel cold and lost in desperation?
You build up hope but failure’s all you’ve known
Remember all the sadness and frustration
And let it go
Let it go!”

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