Jornalista perfila músicos que ganham a vida no centro de São Paulo

Eles não têm fãs, não foram engolidos pela indústria nem contemplados por leis de incentivo à cultura. Mas amam a música, pois ela lhes dá de comer e os fazem esquecer os problemas impostos pela desigualdade social. Compasso urbano: a vida de quem transforma asfalto em palco e necessidade em arte, primeiro livro do jornalista Ariel Cahen, faz jus ao nome.

O livro é uma coleção de perfis – sete ao todo – de artistas que se apresentam no centro de São Paulo. A cidade, conhecida por ser o centro financeiro do país, convive diariamente com manifestações culturais, que entram em “conflito” com o dia a dia urbano e caótico dos paulistanos.

Os músicos retratados na obra são seres humanos simples que utilizam o dom artístico para obter algum dinheiro que lhes permita arcar com as necessidades básicas de suas famílias. A maioria não estudou música. Alguns, aliás, nem ao menos têm instrumentos convencionais. Mas nada disso os impede de fazer seus “shows”. A não ser a chuva, claro.

Os perfis não são extensos. Em algumas páginas, o jornalista enfatiza a origem humilde dos músicos, bem como suas sonoridades musicais e, sobretudo, a paixão pela música. Esta, a responsável por lhes dar o sustento de suas vidas. Além de fácil leitura, o livro vem acompanhado de um CD-ROM, que traz um documentário e fotos dos músicos.

Numa época em que o conceito de “indie” vem se perdendo, a palavra parece ganhar algum sentido ao ser associada às histórias apresentadas. Mesmo sem nenhum apoio, alguns grupos conseguem produzir e vender seus CDs e DVDs aos passantes.

Mais do que retratos de músicos de rua, o livro apresenta uma considerável parcela de artistas que não interessam ao mercado e que não foram contemplados por projetos e leis governamentais. Até mesmo o trabalho artístico nos mostra o quão desigual nossa sociedade se tornou.

 
Obs: a quem interessar, o livro está disponível pelo site da Livraria Saraiva.

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