Entre a arte e a indústria, valorize a arte

Quantas vezes não ficamos fartos porque sempre fazemos as mesmas coisas? E, consequentemente, desejamos mudança?

Vivemos em uma sociedade pós-industrial em que precisamos nos atualizar o tempo todo para que não nos considerem profissionalmente defasados. Poucos, ou quase nenhum, dos conhecimentos e técnicas que aprendemos são por vontade própria ou naturais do ser humano. Na verdade, são imposições do sistema, que, indiretamente, nos diz que temos que dominar recursos e repeti-los a exaustão.

Há uma área profissional, no entanto, que nos permite alguma liberdade: a arte. Trabalhar com arte, embora dominada pela Indústria Cultural, permite que não se faça sempre a mesma coisa. A arte prima por criatividade. Boa parte das vezes que alguma manifestação artística se destaca – seja na música, no cinema, no teatro, na literatura, nas artes plásticas, etc -, ela contém alguma inovação, e não repetição, vulgo “mais do mesmo”.

Seria certo chamar alguém praticante do “mais do mesmo” de artista?  Nós, os meros mortais, nos cansamos da repetição que a vida profissional nos impõe. Podemos até ser bons no que fazemos e reproduzir isso com prazer, mas desejamos que algo mude. É uma vontade que move nossas vidas.

Quando somos admitidos em uma empresa, por exemplo, temos as nossas atribuições. Ou seja, o que ficará por conta de nossa competência. Devemos arcar com os pedidos que chegam até nós e dominar os instrumentos de trabalho de nossa área. Não somos responsáveis por outro setor ou algo que não nos foi acertado assim que contratados. Vamos fazer um serviço repetitivo.

Já o artista tem liberdade para criar, se desafiar, incorporar novas técnicas. Derrubar seus muros. No caso da música, um álbum não deve ser como um engradado de Coca-Cola. O sabor do refrigerante que você adquire no supermercado deve ser o mesmo que você compra na lanchonete, que, por sua vez, é o mesmo disponível no restaurante, na adega, na loja de conveniência, etc. É a indústria. E, se o sabor estiver alterado, algo está errado, porque a indústria, antes de lhe vender, descreveu o produto integralmente. É condenável contar o final de um filme (arte), mas imprescindível explicar quais as vantagens que um computador (indústria) de última geração tem a nos oferecer.

Seguindo o primeiro exemplo, a Coca-Cola deve ser a mesma permanentemente, a menos que nos avise com antecedência que seu sabor será modificado. Já a arte não pode ser controlada, porque é íntima, reflexo de nossas vidas, desejos e ambições. É a busca pela excelência e aprimoramento. Ninguém pode impor como uma música deve soar, a guitarra ser tocada ou o vocalista interpretar uma canção, porque, se fosse desta forma, seria meramente um agrupamento de técnicas. O processo de criação de uma obra de arte não pode, em hipótese alguma, ser similar ao de uma indústria de automóvel, exemplificando.

A arte, se repetitiva, perde a sua característica principal, a criatividade, e se torna nada mais que um produto da indústria. A indústria é repetitiva. A arte, não. É inovadora. Viva mais arte e menos indústria. Dê uma chance às inovações.

Carta Aberta à Folha Dirigida

Há um ano e dois meses eu não era nada. Todas as noites na faculdade me perguntava se estava no lugar certo, se a decisão tomada de súbito pelo curso de Jornalismo fora correta. Hoje, sei que não poderia ter escolhido outro caminho em minha vida. E devo isso à Folha Dirigida.

Além do aprendizado jornalístico, há algo que a Folha Dirigida me deu que carregarei comigo para onde quer que eu vá: valores. Quando entrei pela primeira vez na redação como estagiário, ainda no início do segundo ano de faculdade, não sabia nem ao menos ligar para assessoria de imprensa. Tudo me deixava nervoso. Qualquer coisa era um desafio.

Conseguir a vaga de estágio foi o primeiro desafio, vale lembrar. O número de candidatos era por volta de 30 para uma única vaga. Apesar de, à época, ser mal de português, passei pela primeira fase. Nunca havia lido um edital de concurso na vida, e assim até hoje não sei como fui aprovado na segunda etapa. Provavelmente a repórter que hoje está em Brasília simpatizou comigo na entrevista. É uma pena ela ter deixado a redação antes de eu ter atingido o ápice do meu trabalho no jornal. Queria poder agradecê-la pela paciência que teve comigo no meu início lento, atrapalhado e confuso.

Nesse período de incontáveis editais, percebi a realidade da profissão. Não que eu não soubesse, mas sentir na pele é diferente. O jornalismo não é uma profissão para quem procura glamour. Não há tempo para inspiração nem desculpa por uma matéria não entregue dentro do prazo, o famoso deadline. É tudo transpiração, suor, preocupação, ética e dor. Esforço, muitas vezes, sobre humano.

Me lembro como se fosse ontem da primeira cobertura, do primeiro elogio, da primeira matéria publicada. No início, tudo era fascinante. O desafio dava um valor maior ao trabalho. Com o tempo, tudo fica simples. Não que perca a atmosfera recompensadora, mas se torna um costume. Pra quem está de fora, porém, você continua sendo diferente, pois faz parte da imprensa, algo intangível aos olhos comuns.

Perdi muitos dias na Folha Dirigida. Não soube aproveitar da melhor maneira a oportunidade que consegui. Deixei muitos dos meus problemas pessoais me dominarem e, assim, passei diversos dias desejando não ter de trabalhar. Ao mesmo tempo em que o desânimo se ocupou de mim, dei conta do que me foi pedido. Com isso, acabei percebendo que, mesmo com a falta de vontade, poderia superar minhas dificuldades sem tanto suor. Já estava por dentro do assunto, já sabia escrever razoavelmente bem, já não me preocupava em ter de lidar com tantas tarefas de uma vez. Em suma, era notável como tinha evoluído. Como tinha me tornado jornalista.

Conforme os problemas particulares continuavam aumentando, senti, muitas vezes, vontade de desistir. Tive de me segurar para não pedir as contas. De alguma forma, sabia que desistir não resolveria nada pra mim. Seria uma decisão errada, tomado em base da emoção momentânea. Nesse meio tempo, vi pessoas entrarem e saírem da redação, e me perguntava quando chegaria minha hora, minha próxima oportunidade. Percebo como não dava valor para o lugar onde estava por viver em uma época desafortunada. Felizmente, tudo passou.

Fiz tantos amigos na Folha Dirigida que tudo o que me deixava pra baixo era facilmente esquecido ao vê-los. As tardes deixaram de ser enfadonhas e se tornaram um escape para arejar a cabeça. Graças à boa companhia, me empenhei mais, dei mais valor para o que tinha e não me desesperei com os serviços mais complexos.

Quem dera fosse sempre assim. Fui muito inconstante. Os momentos ruins voltavam inúmeras vezes. Mas chegou uma hora que consegui pôr na mente que não adiantava reclamar ou chorar a sorte que trilhava. Depois dessa constatação, tive meu melhor momento na redação. E isso não se limita apenas ao trabalho jornalístico, pois as amizades se fortaleceram. Falando nelas, conheci pessoas incríveis. Inclusive pessoas que fizeram cair por terra alguns estigmas maldosos acerca dos cariocas.

Por incrível que pareça, quando mais feliz estava com a Folha Dirigida, surgiu outra oportunidade de estágio. Não foi uma decisão fácil. Resolvi aceitar porque algumas pessoas depositaram confiança em mim e eu precisava de um novo desafio, novos ares, conhecer outros mundos.  Diferentemente do início no jornal, começo essa nova empreitada com status de bom jornalista. Não chego do zero. Seria mais simples, mas não é assim. No entanto, a confiança que havia na Folha Dirigida é algo que fica pra trás. Algo que terei que fazer por merecer novamente. E isso me deixa completamente tenso.

A minha última pauta deve ter sido premeditada por uma força superior. Ao lado de uma estagiária iniciante, fiz o mesmo caminho de minha primeira cobertura. Naquela vez, eu era o iniciante e estava acompanhado da repórter que primeiramente depositou confiança em mim. Reviver aquele longo caminho a pé em um dia ensolarado me faz crer que era o ciclo terminando. O fim repetindo o começo.

Em um ano e dois meses, deixei de ser o aspirante a jornalista que não sabia sequer ligar para assessoria de imprensa para confrontar entrevistados. O melhor de tudo é que obtive minha resposta sobre se daria certo nessa profissão. Hoje, não tenho mais dúvidas, porque apurar, escrever, entrevistar e selecionar informação são as únicas coisas que sei fazer. E posso fazer cada vez melhor.

No meu último dia de estágio na Folha Dirigida, contive por diversas vezes as lágrimas. Foram incontáveis idas ao banheiro para enxugar os olhos. Em certos momentos, acredito que os amigos devam ter percebido que não estava sendo fácil. O último ponto final doeu. Doeu muito. Da redação à faculdade, chorei várias vezes. E chorei durante as aulas daquela noite. Chorei em público. Chorei por tudo que vi que tinha conquistado.

Entendo muito bem a enxurrada de lágrimas pela Folha Dirigida. Nem sempre, mas muitas vezes, há de se confessar, eu me senti como se estivesse em algum lugar a que eu pertenço.

Os Tempos do Comodismo

A atual juventude brasileira é privilegiada. Viver nos tempos da sociedade do conhecimento e informação é, sobretudo, muito vantajoso. A partir dos anos 1990, quando o País encontrou seu rumo, milhares de oportunidades surgem a cada dia, ou melhor, segundo, devido às contribuições do mundo cibernético. Crescer no Brasil hoje, sem sombra de dúvidas, é muito mais enriquecedor do que em qualquer outro período econômico, político e social já estabelecido nesse país.

A referência a oportunidades não pode ser entendida de qualquer maneira. Obviamente, conseguir um emprego não é tarefa tão simples, se comparado aos anos de chumbo, principalmente as décadas de 1970 e 1980. Mas convenha-se concordar que o leque de opções para as gerações de hoje adolescentes é infinitamente superior. Com tendência a continuar aumentando.

Atualmente, ao mesmo tempo em que se dedica à educação básica, o jovem pode: aprimorar habilidades, como esportivas e artesanais; enriquecer sua cultura, produzindo e/ou acompanhando o desenvolvimento das artes, sejam plásticas, cinematográficas, sonoras, cênicas etc.; aprimorar ou adquirir conhecimentos por meio de diversos cursos, tais como de idiomas, informática, técnicos. Ou seja, no mundo de hoje, oportunidades e alternativas para entreter e capacitar o jovem não faltam. O que falta é direcionamento.

Em contrapartida ao diversificado mundo de escolhas, o jovem se acomodou. Na história deste país, foi a juventude, sobretudo, que saiu às ruas para reivindicar o fim do regime autoritário, conhecido como Ditadura Militar (1964-1985). Nas universidades, correntes políticas eram formadas.  Os jovens da segunda metade do século passado, hoje adultos, embora numa sociedade fechada para discussões, pouco amistosa e sem grandes visões do futuro, viviam com ideais coletivos. A participação dos jovens para a construção do País foi exorbitante. Vale ressaltar que as lutas da juventude de tempos passados não eram, em grande parte, alimentadas pela mídia ou pelos genitores. A juventude falava por si própria.

A explicação para a paralisação do protagonismo juvenil pode ser encontrada durante a fase de formação dos novos filhos do Brasil. Hoje, a educação básica, apesar de todo o conhecimento científico amplamente difundido, está carregada de falhas, sendo a principal delas a conscientização do poder do conhecimento. O ensino fundamental não desperta o raciocínio crítico, deixando esta tarefa para o ensino médio, que, por sua vez, deveria aconselhar ao jovem participação na sociedade. Esse ciclo vicioso não direciona os jovens brasileiros a se unirem, realizarem ações sociais, terem uma vida coletiva em prol do meio social em que convivem.

Enquanto não for realizada uma revolução na educação básica brasileira, demonstrando a capacidade jovial e o poder que o conhecimento concede, continuaremos a criar jovens cada vez mais leigos às situações diversas, problemas e ideologias comodistas.

Primeiramente, direitos humanos

Todos os dias, milhares de pessoas se dirigem ao centro de São Paulo. Muitos porque lá trabalham. Boa parte vai a passeio, pois o centro é um dos pontos onde se reúnem muitos atrativos da cidade, em termos de compras, instalações públicas e históricas. Há também aqueles que não deixam o centro de jeito nenhum. Não porque eles amam esta região da capital, mas porque não têm para onde ir depois do horário comercial, quando os demais se despedem dos colegas de profissão e enfrentam ônibus lotados de trabalhadores, estudantes e tantos mais que fazem parte da caótica população da principal metrópole da América Latina.

Ao Largo do Paissandu, rodeado de paradas finais de ônibus vindos da Zona Norte, um estrato da população se une, no sentido de permanecerem perto um dos outros, não em relação a companheirismo. As duas principais vias que desembocam no Largo são a Av. Rio Branco, com início nos arredores do bairro do Bom Retiro, e a famosa Av. São João, que liga a Barra Funda ao centro. Há muito em comum entre as avenidas e a região central. Embora no Paissandu, ou à medida que se aproxima do centro, o número de moradores de rua cresça, o percurso de ambas as avenidas é repleto de pessoas sem ter para onde ir, o que comer, vestir, sem emprego e estudo.

Pensa-se que o centro se trata de uma região esquecida por Deus, ou, deveras, pelos governos que administraram a cidade. Não, a questão não é essa. É inegável que passar todos os dias por um local assim não é nada elegante, charmoso, carismático, quem dera romântico. Mas, de certa forma, nos acostumamos a isso. Não conseguimos imaginar o centro de São Paulo arborizado, com edifícios reluzentes, limpo e, principalmente, sem vidas jogadas a destinos inumanos.  Segundo a Constituição, todos os cidadãos devem ter seus direitos humanos assegurados. A sociedade, porém, se cegou perante tamanha discriminação, onde o individualismo está acima de qualquer ato de caridade.

Ao mesmo tempo em que essas vidas foram esquecidas, e são diariamente, pelas leis, governos e civis, há pessoas ainda de pouco contato com o mundo, pouco corrompidas pela sociedade, que ainda estão de olhos abertos para a situação lamentável do próximo. Ao se deparar com uma cena de miséria, toda criança questiona o que acontece, como as pessoas moram na rua, o que elas fazem da vida, porque ninguém as ajuda. Infelizmente, são apenas crianças, e não podem fazer mais do que abrir os olhos dos adultos, quando estes não fecham os delas primeiro.

Viver no terceiro mundo é um paradoxo: o país está crescendo, mas não para todos que fazem parte dele.

O Carnaval da Crise… de Criatividade

Enfim, o ano começou. Então, tudo que você disse que faria em 2009 e ainda não fez, está perdoado. Porque no Brasil é assim, o país só entra no ritmo do mundo depois de passar pelo ritmo do samba. Agora, não há mais desculpas. O ano realmente começou.

O maior símbolo do carnaval brasileiro é o desfile das escolas de samba. Sim, aquela avenida repleta de pessoas fantasiadas, cantando, chorando, sambando (ou tentando), sorrindo etc. E as enormes alegorias produzidas nos mínimos detalhes que chegam até a emitir som e parecem ter vida própria. Não esquecendo de falar das mulatas (e que mulatas!) que, por si só, já são um show a parte.

Tudo parece ser tão maravilho no carnaval. Mais tão maravilhoso que a Rosas de Ouro fez de seu enredo uma ode à festa popular (“Bem-vindos à Fábrica dos Sonhos”), que conta os bastidores da produção do carnaval.

Infelizmente, esse espetáculo todo fica apenas na aparência. O desfile das escolas de samba, seja no Anhembi ou na Sapucaí, maravilha apenas dois públicos: aquele que desfila e aquele que acompanha no Sambódromo.

A transmissão da Globo coloca qualquer um para dormir. Ainda mais quando a emissora escala uma equipe de reportagem nada carnavalesca. No Rio, por exemplo, Cléber Machado era o locutor e Glenda Kozlowski, a comentarista!

Nenhum problema se a transmissão fosse de um Fla-Flu. Mas, se tratando de samba, não dá. Eu poderia escrever linhas e mais linhas sobre essa e outras lambanças, mas, como não era Fla-Flu, não assisti aos desfiles. Dormi.

A emissora da família Marinho não ajuda na transmissão, porém, não é toda culpada. Pela TV, os desfiles são todos iguais. Os sambas-enredo, as alas, a bateria. Uma escola é igual a outra. Um ano é idêntico ao outro. Passa ano, entra ano, no Carnaval, nada muda. Em nove, dez horas de transmissão por noite, ninguém distingue um samba do outro. Caso a Globo coloque o taipe do carnaval passado, todo mundo assiste na boa, acreditando que é ao vivo, em tempo real.

Graças aos mestres carnavalescos, todo desfile segue um padrão. Dificilmente um samba-enredo cai nas graças do povo, se torna hit. E, complementando, um samba originalmente de 5 minutos, no desfile dura uma hora. Uma longa hora no mesmo ritmo, sem nenhuma alteração. Junte todas as escolas de samba, assim temos uma longuíssima noite com a mesma música.

E não é por falta de dinheiro que o carnaval das escolas de samba virou essa mesmice de sempre. Segundo a “Folha de S. Paulo”, O Prefeito Gilberto Kassab (DEM) quer anistiar uma dívida de R$27 milhões das escolas do grupo especial – vou dar a ideia para o pessoal da minha “comunidade”: ninguém paga mais imposto, quem sabe ganhamos a anistia da prefeitura. No Rio, quem salvou o carnaval foi o Presidente da República. Lula convenceu a Eletrobrás a investir R$3 milhões. E a Prefeitura e o Estado cederam aproximadamente R$10 milhões, juntos. Não é a toa que é considerado o carnaval mais luxuoso do país.

No fim, de festa o carnaval se torna competição. A apuração é o momento mais previsível de tudo isso. Os desfiles são parecidíssimos, mas sempre as mesmas escolas vencem. Por quê? Por nome e (aposto que rola) por grana.

Certas escolas nunca tiram 10. Já outras quase nunca tiram menos que 10. É a tradição, característica maior do carnaval. De tão tradicional que se tornou que não há mais espaço para surpresas, ou para a criatividade.

Dificilmente alguém odeia o carnaval. Mas, do jeito que está, é difícil amá-lo. Há muitos pontos que deveriam ser revistos. Muito dinheiro, pouco fantasia, mais do mesmo. Curtir os desfiles, só na avenida ou na arquibancada.

Acima eu me referi ao carnaval como festa popular. Felizmente, ainda é. Já os desfiles, há muito tempo, não são mais. São da elite. Uma simples fantasia de passista não saí por menos do que algumas centenas de reais. E fantasias de destaques (como aqueles trajes de banho que as mulheres vestem) custam um carro. Na Bahia, não é diferente. O valor do abadá é superior a uma passagem de ida e volta para os Estados Unidos, país onde a mais recente crise econômica se iniciou.

Já a crise de criatividade se instalou, há anos, e parece não ter como recuperá-la das mentes dos carnavalescos do Brasil.

PS: Com certeza esse foi um dos meus textos mais ridículos até o momento. Mas há um ponto positivo nele: se o carnaval continuar como está – e certamente continuará -, não precisarei escrever um novo texto. Pois esse é atemporal.

Deus salve a América!

Muitos acreditam que o século 21 começou no ano 2000. Erradíssimo. A virada do século, assim como do milênio, foi em 2001. Mas 1º de janeiro de 2001 não foi uma data marcante. A humanidade teve que esperar 9 meses e 11 dias para perceber a mudança que o novo milênio traria. Só quando o primeiro avião se chocou propositalmente a uma das torres do World Trade Center em 11 de setembro iniciou-se o novo século.

Com isso, surgiu um novo inimigo norte-americano, o velho conhecido Osama Bin Laden. A guerra do Ocidente contra o Terrorismo já tinha seu álibi e seu palco seria nos confins do Oriente Médio: o Afeganistão. Para saciar a sua prepotência, o presidente George W. Bush colocou os Estados Unidos em outra guerra, iniciada em 2003. O Iraque voltaria a fazer parte da vida da família Bush – no início da década de 1990 durante a Guerra do Golfo o presidente dos EUA era o Bush “pai”.

As Torres Gêmeas, um dos maiores símbolos da hegemonia capitalista norte-americana, ao caírem por terra não só revelaram ao mundo o terrorismo. Foi um vaticínio a crise do capitalismo que logo tomaria conta do mundo.

Difícil afirmar qual a maior lambança do governo Bush. E às vezes parece difícil acreditar que esse mesmo homem, responsável pelo país mais influente do mundo, que aparece cabisbaixo nos noticiários tenha cometido tantas atrocidades. Quem não o conhece, teria até pena desse pobre velinho rico e sem coração.

O mundo, porém, pode sonhar com tempos melhores. A América elegeu para ser seu futuro herói (quem sabe?) um homem dotado de melanina. Na verdade, o mundo o escolheu. Barack Hussein Obama vem para lavar a pior imagem que os EUA construíram nos últimos anos. Obama será o próximo presidente da nação mais rica do mundo porque é a mudança que todos pediam. Vem para acabar com certos apelidos, como “país do imperialismo”, que o seu antecessor fez questão de ajudar a implantar.

Foi eleito porque “Bushinho” foi de longe um péssimo presidente. Não sendo hipócrita, Obama foi, sim, eleito porque é negro. E, sem dúvida, sua vitória deve-se também a sua competência.

Nos anos 1960, os Estados Unidos tiveram dois grandes líderes negros. Enquanto Martin Luther King Jr. declarava seu sonho de uma sociedade americana igualitária entre negros e brancos, Malcolm X acreditava plenamente na segregação racial. O sonho de Luther King, pode-se dizer que sim, deu alguns passos com a vitória do democrata. Mas caso Obama não seja um bom presidente, isso significará que Malcolm X estava certo? Não, nem perto disso.

Por outro lado, a presidência de um negro também não tornou ninguém menos racista no mundo. As diferentes ideologias de Luther King e Malcolm X não os impediram de ter o mesmo fim. Ambos foram assassinados. Foram mortos pela intolerância.

Até ontem era fácil encontrar pessoas torcendo o nariz aos EUA. Hoje, é diferente. Todos torcem por Obama. Por quê? Por que o mundo se envolveu tanto nessas eleições? Simples. De certa forma, todos se acostumaram com os EUA no topo do mundo. Sem eles lá, perde-se o controle. O que era raiva se tornou apoio. É cômodo para o ocidente ver os EUA tomando à frente. E se uma mudança aconteceu lá, acredita-se que possa acontecer em qualquer lugar.

A principal missão de Obama não é dar fim às guerras, recuperar a economia americana, contribuir para evitar o aquecimento global ou tão pouco melhorar os laços dos Estados Unidos com o mundo. O que se espera de Obama é que ele consiga fazer o mundo voltar a acreditar que os Estados Unidos sejam, definitivamente, a terra onde os sonhos se tornam realidade.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.