Entre a arte e a indústria, valorize a arte
05/03/2011 Deixe um comentário
Quantas vezes não ficamos fartos porque sempre fazemos as mesmas coisas? E, consequentemente, desejamos mudança?
Vivemos em uma sociedade pós-industrial em que precisamos nos atualizar o tempo todo para que não nos considerem profissionalmente defasados. Poucos, ou quase nenhum, dos conhecimentos e técnicas que aprendemos são por vontade própria ou naturais do ser humano. Na verdade, são imposições do sistema, que, indiretamente, nos diz que temos que dominar recursos e repeti-los a exaustão.
Há uma área profissional, no entanto, que nos permite alguma liberdade: a arte. Trabalhar com arte, embora dominada pela Indústria Cultural, permite que não se faça sempre a mesma coisa. A arte prima por criatividade. Boa parte das vezes que alguma manifestação artística se destaca – seja na música, no cinema, no teatro, na literatura, nas artes plásticas, etc -, ela contém alguma inovação, e não repetição, vulgo “mais do mesmo”.
Seria certo chamar alguém praticante do “mais do mesmo” de artista? Nós, os meros mortais, nos cansamos da repetição que a vida profissional nos impõe. Podemos até ser bons no que fazemos e reproduzir isso com prazer, mas desejamos que algo mude. É uma vontade que move nossas vidas.
Quando somos admitidos em uma empresa, por exemplo, temos as nossas atribuições. Ou seja, o que ficará por conta de nossa competência. Devemos arcar com os pedidos que chegam até nós e dominar os instrumentos de trabalho de nossa área. Não somos responsáveis por outro setor ou algo que não nos foi acertado assim que contratados. Vamos fazer um serviço repetitivo.
Já o artista tem liberdade para criar, se desafiar, incorporar novas técnicas. Derrubar seus muros. No caso da música, um álbum não deve ser como um engradado de Coca-Cola. O sabor do refrigerante que você adquire no supermercado deve ser o mesmo que você compra na lanchonete, que, por sua vez, é o mesmo disponível no restaurante, na adega, na loja de conveniência, etc. É a indústria. E, se o sabor estiver alterado, algo está errado, porque a indústria, antes de lhe vender, descreveu o produto integralmente. É condenável contar o final de um filme (arte), mas imprescindível explicar quais as vantagens que um computador (indústria) de última geração tem a nos oferecer.
Seguindo o primeiro exemplo, a Coca-Cola deve ser a mesma permanentemente, a menos que nos avise com antecedência que seu sabor será modificado. Já a arte não pode ser controlada, porque é íntima, reflexo de nossas vidas, desejos e ambições. É a busca pela excelência e aprimoramento. Ninguém pode impor como uma música deve soar, a guitarra ser tocada ou o vocalista interpretar uma canção, porque, se fosse desta forma, seria meramente um agrupamento de técnicas. O processo de criação de uma obra de arte não pode, em hipótese alguma, ser similar ao de uma indústria de automóvel, exemplificando.
A arte, se repetitiva, perde a sua característica principal, a criatividade, e se torna nada mais que um produto da indústria. A indústria é repetitiva. A arte, não. É inovadora. Viva mais arte e menos indústria. Dê uma chance às inovações.