Jornal dedicado à carreira pública regionaliza o noticiário
04/04/2011 1 Comentário
Por @DuVasconcelos, @Fradimmarcelo e @Sismone
O jornalismo segmentado não é suficiente para atender a demanda de um público específico. O segredo é a regionalização do noticiário, afirma o diretor da sucursal de São Paulo do Grupo Folha Dirigida, Antônio Steter. Há 25 anos no mercado, a Folha Dirigida, jornal voltado à carreira pública, descobriu que, embora o interesse do leitor seja o mesmo em qualquer lugar do país, o noticiário deve se adaptar ao público de cada região. “A regionalização fez com que o grupo assumisse a liderança deste segmento em todo o país, inclusive no Estado de São Paulo, onde já havia um jornal voltado à carreira pública antes do nosso.”
O interesse da população pela carreira pública não é novidade, uma vez que a chance de um emprego estável e ascensão profissional são características do funcionalismo. O papel do jornalismo especializado em carreira pública é transformar esta oportunidade de emprego em informação jornalística. “Nossa linha editorial prima pelo conteúdo jornalístico. Não é pegar um edital de concurso e publicá-lo, não é um diário oficial. O diferencial está na antecipação da informação”, explica Steter.
Portanto, quando um órgão público demonstra interesse ou abre processo de licitação para contratação de organizadora, a Folha Dirigida noticia. “Como há um número enorme de pessoas que querem ingressar à carreira pública, é preciso que o candidato se prepare para as provas. Muitas vezes há um período curto entre a publicação do edital e a prova”, afirma o editor Fernando Cezar Alves. Desta maneira, a informação antecipada faz com que o candidato inicie os estudos muito antes da publicação do edital.
Fernando Alves diz que a pauta do jornal não se limita a acompanhar o processo do concurso, da sua divulgação ao resultado final, mas também se manter ao lado do candidato no que for necessário, caso seja constatada alguma irregularidade. “O concurso é um processo de certa forma técnico. Procuramos fazer matérias que fogem um pouco desta lógica, mas que sejam de interesse do leitor. Por exemplo, se for sair um edital para determinado cargo, procuramos ouvir quem já trabalha nesta área para que ele explique baseado em sua experiência como ela é aos futuros candidatos”, diz Alves.
Segundo a repórter Eliane Anjos, o jornalista desta área deve conhecer os órgãos públicos e suas funções; acompanhar a agenda das autoridades, promulgação de decretos e leis; descobrir o que tem sido feito para valoração do funcionalismo; e não se prender ao oficialismo, como confrontar informações de sindicatos, órgãos, organizadoras e servidores.
“A linha editorial do jornal independe do governo, dos cursos preparatórios e das organizadoras. Não temos vínculo com ninguém. Contratou sem concurso, o jornal denuncia e faz movimento contra isto”, diz Steter. Segundo o diretor, o grupo planeja promover debates entre autoridades e sindicalistas e realizar seminários acerca do funcionalismo. “A função do jornal é trazer, dentro do nosso negócio, este debate à sociedade”, conclui Steter.